As picuinhas que resultaram na derrota de Hashioka

As centenas de pequenas picuinhas, terminaram por levar o prefeito de Nova Andradina e candidato a reeleição, Roberto Hashioka Soler, do PSDB, a uma fragorosa derrota, imposta pelo seu adversário e ex-prefeito, José Gilberto Garcia, do PR.

xeque-matePicuinhas, quer dizer pessoas pirracentas, teimosas, que possuem hostilidade gratuita as outras pessoas ou implicância em demasia. Todos esses predicados, infelizmente, Hashioka exercitou ao longo deste seu atual mandato.

Vejamos algumas dessas picuinhas que terminaram o levando a derrota:

1- Em março deste ano, o ex-prefeito Gilberto Garcia tentou em três ocasiões distintas, marcar uma audiência com Hashioka e, em nenhuma das vezes conseguiu ser recebido pelo prefeito de Nova Andradina, numa demonstração clara de uma arrogância sem precedente.

E, sabem o que Gilberto queria dizer a ele? Que, se Hashioka fosse candidato a prefeito, ele, Gilberto não seria.

Como não foi recebido por Hashioka, Gilberto decidiu se candidatar com uma frase que ouvi por diversas vezes do prefeito eleito, “se perder, perdi para o Hashioka e se ganhar, ganhei do Hashioka”.

O resultado nós sabemos, Gilberto ganhou a disputa.

2- Sou amigo pessoal do prefeito Roberto Hashioka e isso nunca neguei e, por diversas vezes em conversas mantidas com ele, as vezes até altas horas da noite, ele sempre abordava três assuntos a exaustão.

Uma sobre os terrenos que o Gilberto havia doado no Bairro Universitário I e II, hoje o maior bairro da cidade. Hashioka nunca engoliu aquele bem sucedido empreendimento idealizado por Gilberto.

Um outro assunto que fazia parte de sua rotina, era fazer pesadas criticas ao Gilberto, por ter concedido 40% de aumento aos professores. Isso ele nunca perdoou. Eu cheguei a sugerir ao prefeito Hashioka, que como o aumento já estava sacramentado, ele deveria fazer do “limão uma limonada”, em vez de ficar se lamuriando pelos cantos, deveria dizer em alto e bom som que era sua administração que pagava o maior salário do estado aos professores da Rede Municipal de Ensino. No início até que aceitou o sugerido por nós, mas logo começou a derriçar o porrete no lombo do Gilberto por ter feito tamanha asneira em conceder 40% de aumento aos professores. Isso na opinião dele, bem entendido.

3- Atrasou o máximo possível a implantação da UTI e, até com razão, já que para se tocar no dia a dia uma UTI precisaria de uns R$ 500 mil mensal.

Mas havia um detalhe: Gilberto havia conseguido com o então senador Antônio Russo, uma verba de quase R$ 2 milhões, suficiente para implantar o UTI e a aquisição de um Tomógrafo Computadorizado. Esse dinheiro ficou depositado no Banco do Brasil até a pouco tempo e não sei se ele devolveu o dinheiro ao Ministério da Saúde ou continua rendendo juros bancários.

4- Uma das implicâncias de Hashioka era com os moradores de Casa Verde e os assentados de uma maneira geral. Casa Verde e seus moradores foram tratados a “pão e água”, durante este seu governo e, como era de se esperar, votaram maciçamente contra ele nestas eleições.
5- Para não nos alongarmos muito vou citar um ensinamento de uma dos políticos mais experientes de nosso Estado, que por razões obvias, não citarei seu nome, mas que ensinou uma geração toda de políticos de como o líder político deve se comportar. “Em política não se escreve nada, não há contrato assinado, mas o que foi combinado, tem que ser cumprido”.

Isso Hashioka nunca praticou, por isso mesmo mais um motivo de seu declínio e, que declínio, senão vejamos: em 2000, quando ganhou a sua primeira eleição, obteve nas urnas 9.863 votos (disputou e ganhou pelo PSDB), contra uma das preferidas da população, Regina Duarte, que obteve 6.378 votos, que totalizaram 16.241 votos válidos.

Devido ao seu espetacular governo, se reelegeu em 2004, com 16.983 votos, que equivalia aos estonteantes 85,7%, uma marca nacional, o prefeito mais bem avaliado e votado em todos os tempos e, seu oponente, Mário Xavier obteve 2.980, pelo PSL. Total dos votos válidos em 2004: 19.963.

Com todo este poderio político em suas mãos, depois de 8 anos consecutivos no comando da Prefeitura Municipal de Nova Andradina, lançou um ilustre desconhecido, o então seu secretário de Finanças, Gilberto Garcia para prefeito, que terminou sendo vencedor. Gilberto na ocasião disputou com Milton Sena, que hoje é vice-prefeito de Hashioka, que rompeu com ele justamente para ajudar Gilberto neste pleito vencedor. Na ocasião Milton sena, obteve mais de 10 mil votos e por pouco não venceu o pleito de 2008.

Já em 2012, quando Hashioka voltou a se candidatar o seu declínio já se mostrava bastante patente, ao obter nas urnas 14.281, contra o seu oponente Professor Tadao, do PT, que saiu das urnas com 9.426 votos, ou 39,76%, num total de 23.707 votos válidos.

Agora, em 2016, quando tentou novamente emplacar seu 4º mandato, a derrocada estava palpável, só chegou aos 10.145 votos, ou 41,84% dos votos válidos e seu oponente, aquele que ele não quis receber em março, saiu vitorioso com míseros 27 votos à frente, obtendo 10.172 votos, ou 41,95%.

De 2004 até as eleições de domingo passado, Hashioka perdeu mais da metade de seu capital político, jogando literalmente no lixo, tudo aquilo que havia conquistado nas urnas ao longo desses seus 16 anos de poder absoluto em Nova Andradina.

A vitória de Gilberto veio justamente dos moradores na Casa Verde, Assentamentos e do Bairro Universitário, que Hashioka tratou com desprezo total durante todos esses quatro anos frente ao Executivo Municipal.

Então, o que faltou ao Roberto Hashioka foi um pouco mais de humildade, pé no chão, sendo que um dos seus erros realizados no sábado, aquela passeata maluca, com 370 carros no início e já na altura do Lanchão passou apenas 350 carros e seis caminhões e 47 motos. Quando no enceramento pouco mais de 40 veículos e meia dúzia de motos o acompanhavam. Ou seja, quem foi na passeata não tinham o menor comprometimento com o candidato e, ainda por cima, irritou os eleitores, pela sua maneira em que foi organizada, como se já estivesse comemorando a vitória antecipada, ou seja, contou com o ovo dentro da galinha, antes mesmo de botar.

Também quero aqui deixar registrado um dos erros crassos do atual prefeito Roberto Hashioka, com referência a sua esposa, Dione Gandolfo Hashioka, que ele, Roberto Hashioka, sem dúvida alguma a elegeu por duas vezes consecutivas, mas quando do coroamento de sua carreira política, isso nas eleições de 2014, faltando poucos dias para o pedido de registro de sua candidatura, quando a deputada Dione disputaria seu 3º mandato consecutivo, abruptamente, sem consultar ninguém, simplesmente Roberto Hashioka anunciou que sua esposa não seria mais candidata a reeleição, isso pelo PSDB, partido que sempre a deputada disputou e se elegeu.

Na ocasião Hashioka alegou que como apoiava a candidatura do senador petista, Delcídio do Amaral para governador, não ficaria bem a imagem dele, sua esposa e deputada estadual por dois mandatos consecutivos, disputar o seu terceiro mandato. Resultado desta sua picuinha: a coligação do PSDB nas eleições de 2014, obteve uma sobra de superior aos 18 mil votos, que se a deputada Dione acaso teria sido candidata, seria eleita mesmo sem sair de sua casa.

Há inúmeras outras citações, de como Hashioka foi “desaprendendo” a arte de fazer política, como neste pleito, onde confiou unicamente em seu prestígio e no poderio das máquinas municipal e estadual, controlado por ele com mão de ferro.

Deu no que deu, perdeu para seu antigo aliado, Gilberto Garcia, que agora com toda certeza e com suas razões, irá dar o troco na arrogância de Roberto Hashioka.

Os ganhadores e os perdedores do pleito

Quem ganhou, todos nós sabemos: Gilberto Garcia; o vice Nenão; o atual vice-prefeito Milton Sena e presidente do PDT; o presidente do PTB, Hernandes Ortiz, que também preside a Coopavil, e tantos outros, como o presidente do PR municipal e vereador reeleito, Marião da Saúde.

Mas tem mais: Gilberto, como diz o antigo adágio popular, fez “barba, cabelo e bigode”: se elegeu prefeito; elegeu sua esposa e futura Primeira Dama, Joana D’arc a vereadora, que somados aos outros vereadores eleitos pela sua coligação, Gilberto conseguiu eleger 7 vereadores de um total de 13 vagas existentes no Legislativo Municipal.

Também há outros vencedores, como o ex-governador André Puccinelli, do PMDB; deputados estaduais, Renato Câmara (PMDB) e Paulo Correia (PR); presidente regional do PR, ex-deputado Londres Machado; senadores Moka e Simone, do PMDB, que também apoiaram e torciam pela vitória de Gilberto.

Mas quem de fato foi o grande vencedor, foi o eleitor, que desta vez até aceitou as benesses da “mala preta”, mas não votou no candidato a reeleição, preferiu um da oposição palatável, no caso o prefeito eleito com apenas 27 votos de diferença, José Gilberto Garcia, do PR.

Agora vejamos os principais derrotados:

O principal derrotado sem dúvida alguma, o prefeito Roberto Hashioka (PSDB); sua esposa e ex-deputada estadual por dois mandatos consecutivos, Dione Hashioka; o governador Reinaldo Azambuja, do PSDB, que apostou todas suas fichas em Hashioka. E, aqui internamente, alguns pessoas consideradas pesos pesados e endinheiradas, que apostaram alto na vitória de Hashioka e saíram chamuscados por terem apoiado abertamente e até mesmo com estrema arrogância o candidato derrotado. (Aqui não vem ao caso cita-los nominalmente, mas que todos nós sabemos quem foram esses derrotados).

Uma derrota acachapante para Hashioka e seu grupo político, que dificilmente será esquecida na história política de Nova Andradina.

Então só nos resta repetir uma antiga e surrada frase: “chora bugrada, que o pranto é livre”.

momentoUm dos momentos de maior emoção, quando do anúncio oficial da vitória do prefeito eleito, Gilberto Garcia, que ao lado de seu vice, Nenão, familiares e amigos, que estavam em sua residência acompanhando o desenrolar das apurações, foi a união de todos, ao entoarem a oração “Pai Nosso”, numa atitude de humildade.

Gilberto e seus seguidores saíram em carreata pela cidade, mas logo seguiu para Casa Verde, onde foi agradecer pessoalmente aos seus moradores pela vitória arrancada democraticamente das urnas.

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