Não fui eu que “puxei a faca”

Há um expressão em espanhol, “Saqué El Cuchillo”, ou abrasileirado “puxou a faca”.

Eu, sinceramente nunca puxei “faca”, metaforicamente falando, a quem quer que seja, isso em termos abstratos, bastante utilizado em questões políticas, ou seja, daquele que primeiro saca da faca para atingir o adversário, que não é nosso caso. Somos jornalistas e não políticos, portanto não cabe atribuir a nós da imprensa esta frase.

Então, voltando ao assunto, não fui eu que “puxei a faca”, mas quem o fez terá que responder politicamente pela sua utilização. Não temos o costume de ficar “latindo” aos calcanhares dos poderosos de plantão para obter “favores”. Simplesmente agimos, divulgamos e, o porrete de “dá em chico”, também serve para o Francisco. Isso aprendi ao longo de meus 45 anos dirigindo o Jornal D’oeste, que acaba de completar 45 anos de circulação ininterrupta, precisamente no dia 5 de novembro de 1972, quando o jornal circulou pela primeira vez e, aqui estamos até os dias de hoje.

Recentemente procurei uma autoridade municipal, para pedir sua autorização, numa tentativa de aparar arestas e ou ressentimentos políticos, que pela minha visão jornalística e vivencia neste meio espúrio do mundo da política e dos políticos, que volto a repetir, não havia o menor cabimento, não era o momento de ambos os lados, “puxar a faca”.

Recebi autorização expressa do dito cujo, que EU poderia sim intervir, falar, argumentar, dizer que “adversário político, não significa inimigo”. Isso ocorreu numa quinta-feira e já no sábado os dois “adversários” estavam se falando politicamente, visando o apaziguamento em beneficio de Nova Andradina. Essa foi e continua sendo nossa intenção.

Isso jamais foi motivo de gabolice de nossa parte, de se vangloriar da paz selada entre os dois. Nunca abri a boca para dizer nada a respeito, já que essa não é e nunca foi nossa função e muito menos temos gosto e até estômago para fazer aproximações entre experientes políticos locais.

Aqui abro um parêntese, para dizer que nestes 45 anos dirigindo o Jornal D’oeste, assisti e até participei de muitas contendas políticas vivenciadas em Nova Andradina, sem contudo envolver-me diretamente. Sempre a espreita do desenrolar, mas isso não quer dizer que não tínhamos nosso lado pessoal de opinar e vez por outra enfiar nossa “colher de pau” , dar nossa opinião profissional sobre este ou aquele assunto. Geralmente são assuntos tratados em Off, quando os envolvidos nos embates nos confiam suas particularidades e, nós, da imprensa, temos por obrigação manter no anonimato. Alias, a Constituição da República nos assegura, que não somos obrigados e “revelar a fonte”, ou seja, de onde partiu a informação que publicamos, lógico, desde de que seja verdadeira.

Seguindo na mesma linha de raciocínio, sempre pautado pela direção do Jornal D’oeste, lembro-me das noitadas em claro, em nossas velhas Linotipos, trabalhando sempre as madrugadas, fazendo as correções necessárias, redigindo o material numa máquina “Olivetti”, aquilo que sairia no jornal semanal. Para se ter uma ideia das dificuldades da época, começávamos a trabalhar no jornal as terças-feiras, para poder circular no sábado. Sem energia elétrica confiável, fomos obrigados a adquirir um conjunto elétrico, motor e gerador a diesel, para suprir os constantes cortes da nossa Etna, que pertencia a família Moura Andrade, fundadores da cidade. Eu, meu irmão José Aquino e até meu filho Bruno, normalmente nos finais de semana, chegávamos em casa, junto com os nossos funcionários, ao raiar do dia. Eu, esperando começar a “rodar” o jornal, depois dobrar e programar a distribuição, tirava um “cochilo” deitado sobre as resmas de papel (500 folhas cada resma), que ficavam amontoadas num dos cantos do jornal, que adquiríamos da Tjaner, em São Paulo. Sonolento, mas sempre com o barulho ensurdecedor do conjunto elétrico, movido a diesel, do ranger de nossa antiga impressora, que imprimia duas folhas por vez e, para fazer as correções a Linotipo e seu clicar delirante e característico, que até hoje povoam nosso sonhos da madrugada, como fazemos agora neste modestíssimo artigo, que inicio exatamente as 3h36, do dia 19 de novembro, uma madrugada de domingo, quando a cantar dos galas da vizinhança começa a avisar que dentro de mais algumas horas o sol irá nascer.

Isso uma recordação histórica, que só os antigos da profissão se lembram, que hoje infelizmente são poucos que ainda estão por aqui, uma grande parte deles já partiram para a Pátria Espiritual.

Mas, voltando a manchete principal deste despretensioso artiguinho, que publicamos neste Blog de Opinião: Não fomos nós a “puxamos a faca”. E, qual dos motivos que digo isso? Respondo: Pedi autorização da autoridade municipal para que pudesse interceder na volta de um dialogo político saudável. Fui autorizado, e creio que cumpri com a missão.

Eis que, para minha surpresa, num outro de seus chiliques, recentemente esse que hoje se arvora como sendo o verdadeiro “líder e todo poderoso” disse ao seu adversário, que “quem é o Pedrinho, para você mandar falar comigo”.

Primeiro: Jamais interferi em assuntos pessoais e ou políticos; Segundo: Fui devidamente autorizado a falar em seu nome e, obtive sucesso, em 48 horas as pendências estavam sanadas.

Então daqui em diante, eu, que os amigos nos chamam carinhosamente de Pedrinho, reconheço que não represento coisa alguma na política local, muito menos a influencio. Vou apenas relatar um ou dois fatos sobre essa pretensa “liderança política”, que hoje deita falação a nosso respeito, e pergunta, em forma de deboche “quem é o Pedrinho”. Vou responder desta tribuna, o blog de Opinião e principalmente por intermédio do Jornal D’oeste, reafirmando mais uma vez que realmente não representamos quase que nada na sociedade a na politica local, mas temos o sagrado direito de informar a formar a opinião pública, e deste direito jamais o abdicaremos.

Para concluir (04h25), utilizarei a modernidade, não da Linotipo, mas sim do linguajar da Internet encerrando com: Sqn e Sqs, que significa “só que né” e “só que sempre”.

Bom domingo a todos nossos leitores.

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