“Ouro de Ofir”, mais um golpe aplicado por Estelionatários espertalhões

Fico aqui imaginando de que, como pode 25 mil pessoas neste País, que no mínimo possuem um pouco de discernimento intelectual, já que “investiram” entre mil reais a R$ 20 mil, caindo num dos mais antigos golpes aplicados por estelionatários pra lá de espertalhões, sendo que muitos desses “investidores”, continuam acreditando e realizando depósitos, numa tal de empresa Campany Consultoria Empresarial Eirelli, comandada por três ardilosos “empresários”, presos pela Polícia Federal em Campo Grande no início desta semana, que lesaram milhares de pessoas Brasil afora.

Momento da prisão efetuada pela Polícia Federal a um dos acusados da operação denominada “Ouro de Ofir”

O golpe parece inverossímil, mesmo assim mais de 25 mil pessoas acreditaram naquilo que os três estelionatários diziam, ou seja, você “investe” mil reais e recebe de volta R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais). Isso mesmo, hum milhão de reais. Coisa sem “pé nem cabeça”, que a PF colocou o nome de “Ouro de Ofir”, ou seja, ouro de otário, que não existe.

Mas a historinha montada pelos três estelionatários, deveras interessante: diziam aos “investidores”, que na época do império, de Dom Pedro II, uma família riquíssima do Mato Grosso, que possuía uma mina de ouro, de onde foram extraídas toneladas e toneladas de ouro, havia sido repatriada ou depositada num banco americano. Com a morte dessa família esse ouro terminou ficando sem dono, depositada no Tesouro Americano.

Segundo esses três trapaceiros, os herdeiros dessa família teriam contratado um escritório de advocacia, aqui e lá nos Estados Unidos, e que, depois de 60 anos de muita peleja judicial, finalmente o governo americano teria concordado em devolver as toneladas e toneladas de ouro aos herdeiros. Mas, havia um porem: esses herdeiros não teriam dinheiro para pagar os advogados contratados, por isso precisavam de “investidores”, que ganhariam até 1.000% da quantia “investida”, depois que o ouro fosse repatriado. Parece brincadeira, mas 25 mil caíram no golpe.

Vejamos outro golpe montado há alguns anos atrás por advogados e picaretas espertalhões. Estamos nos referindo ao rumoroso caso do Comendador Domingos Faustino Corrêa, um gaúcho milionário, que deixou um testamento, onde só poderia ser concretizado depois de 100 anos de sua morte. Também deixou seus bens para seus filhos, que tivera com suas escravas e a alguns de seus amigos. Faustino Corrêa morreu em 1873.

Muito bem. Em 1974, um bando de velhacos, do Rio Grande do Sul, reavivaram a processo, que corria há mais de 100 anos e, chegaram a colocar anúncios, reportagens em TVs, que os possíveis descendestes do milionário gaúcho, teriam direito a bilhões de reais, onde hoje existem diversas cidades. Ninguém recebeu um tostão, mas deixaram muitos escritórios de advocacia e seus representantes no Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai muito ricos. Este caso foi encerrado em definitivo de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul em 1984, secando de vez a mamata daqueles que propuseram a ação, que também consistia num golpe muito simples: todos aqueles que se consideravam parentes do Comendador, deveriam contribuir com algum dinheirinho, para custear o processo. Imaginem a quantidade de pessoas que caíram neste golpe.

Um outro golpe financeiro famoso, isso um dos mais recentes, foi a tal Fazendas Reunidas Boi Gordo, que tinha como seu garoto propaganda o ator global Antônio Fagundes, que prometia um retorno financeiro líquido, de nada menos que 42% ao ano do dinheiro “investido”, na engorda de bois. Ora, ora, boi gordo nunca rendeu essa quantia ao ano e, todos do mercado sabem muito bem disto. Mesmo assim mais de 30 mil pessoas “investiram” nessa verdadeira pirâmide financeira, que terminou falindo em 2004, causando um prejuízo a seus “investidores”, de R$ 3,9 bilhões.

O golpe agora se repete, com o “Ouro de Ofir”, que felizmente a Polícia Federal agiu em tempo e colocou os três principais estelionatários na cadeia.

Vamos lá ao antigo adágio popular: Dinheiro não dá em árvores. Portanto, não existem milagres deste tipo no Planeta Terra, de se aplicar mil reais e em pouco tempo isso virar mil por cento (1.000%) de lucro.

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